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Sou músico, muito antes de ser neurocirurgião. Posso dizer que a experiência musical, na prática, iniciou meu treinamento na neurocirurgia...

Todos temos (talvez alguns psicopatas, não...). São de todos os tipos e ocasiões. Temos alguns amigos de toda vida, alguns que resolvem nossa vida em alguns segundos e desaparecem, tem aqueles que você vê sempre, mas nunca esteve com eles mais tempo para gostar, tem aqueles que foram amigos, mas o tempo levou, o caminho levou ou a distância não permite.

Tem amigos que mesmo tendo acontecido problemas, você sente saudade. Tem os que foram amigos, mas não merecem mais estar na sua lista. Tem aqueles que nunca foram amigos, e você achava que era. Tem amigo secreto.
Amigos de muito tempo, amigos de muito tempo que você não vê, amigos que você não gostaria de ver mais. Amigos que se foram de vez (esse é um problema do passar do tempo, velhos e cachorros acabam morrendo antes de você)
É estranha a amizade. Ela pode ser criativa (tenho alguns momentos com alguns que foram inacreditáveis e irreproduzíveis). Ela pode ser destrutiva, ela pode tragar e acabar com você.
Aos amigos tudo! Aos inimigos a lei (mantenho relação com alguns não amigos que me jogam muito para frente e para cima!). Como diz aquela piada, nem todo inimigo quer te prejudicar e nem todo amigo quer te ajudar (quem me conhece sabe que os termos não são esses...).
Tem amigo do esporte, tem conhecido do trabalho e tem muita gente muito intima por alguns momentos. Tem aquelas que passaram e foram muito intimas, tem aquelas que estiveram do seu lado sempre e você não conhece, tem aqueles que você nunca vai conhecer e penetrar no amago.
Tem aquela amizade que já foi intimidade, e virou só amizade. Tem aquela amizade que virou intimidade, tem aquela que sempre foi obscena e amizade ao mesmo tempo (essas são uma delícia e valem muito a pena investir todas as fichas).
Tem amizade de filho, tem amizade de parente, tem amizade de mãe ou sogra (quando são inteligentes, iam ser amigas independente dos laços). Tem amizade de cão, cavalo, gato (meu Deus, esses não pedem nada em troca).
Tem amigo que você escolhe e investe, tem amigo que te cai no colo, mas se você escolhesse não imagina ter um melhor. Tem amizade de segundos, pela educação da pessoa, que nunca mais vai encontrar, e esse sujeito faz outra amizade um segundo depois, na mesma fila.
Tem amizade de namoro, casamento, viuvez. Tem amizade de vizinho, só quando pega o jornal na porta de manhã. Tem vizinho que é amigo, só segurando a onda quando a sua turma faz barulho. Tem amigos desde a escola.
Tem uns que querem te ver pelas costas, tem os que tem que estar sempre do lado, tem os que deveriam estar mais a seu lado, tem os que tinham que ter estado naquele momento, mas não puderam, ou não quiseram.
Amigos de interesse, amigos desinteressados, amigos que se interessam por sua vida, amigos avoados.
Amizade de bar, da feira, da rua, do estacionamento, da portaria, da academia, do clube, da reunião, da fila, da eleição, do veterinário, da espera do DETRAN, de todos os jeitos.

O que eles têm em comum? Nada e eventualmente tudo. O que interessa é que continuemos a entender o outro como igual, partindo do princípio que temos semelhanças, ou não, que impedem que sejamos indiferentes ao outro. Isso se chama humanidade, e anda muito em falta hoje em dia. Empatia ao invés de ódio, simpatia (que é quase amor) e compaixão (que é sofrer junto – pascio de Cristo, sofrimento de Cristo).
Amigos, enfim...

Por Dr. Antonio Bellas

O Paradoxo Francês, expressão do início da década de 1990, chamou a atenção das pessoas em geral, e dos médicos em especial, sobre os possíveis efeitos benéficos da ingestão do vinho sobre a saúde. Mas como isso ocorreu? Bem, poucos anos antes um estudo multicêntrico e multicultural sobre a incidência de doenças cardiovasculares (coronariopatias) mostrou uma constatação aparentemente incoerente sobre a incidência daquelas moléstias. O trabalho, com o interessante nome de WHO MONICA (Monitoring Trends And Determinants In Cardiovascular Disease) analisou mais de 13 milhões de pessoas, em 21 países por 10 anos. A informação estranha dizia respeito à incidência e gravidade das doenças estudadas em diferentes populações. Os franceses naquela ocasião ( e ainda hoje ) tinham hábitos que incluíam fatores então identificados como de risco para as coronárias. Em sua dieta diária, constavam queijos, leite, manteiga, (gorduras saturadas) e carboidratos. Além disso, o tabagismo era generalizado entre eles. Entretanto, a incidência de morte por infarto do miocárdio era menor comparada a outras populações. Por outro lado, em países anglofônicos, sobretudo EUA e Inglaterra, já existia uma consciência maior para dieta e hábitos menos identificados com este risco. Mas a incidência de doenças coronarianas entre eles era maior. 

Era um fato de relevância científica, sem dúvida. Porém incoerente! Qual seria a explicação?
Em 1991, um cientista francês, Serge Renaud, em entrevista ao icônico programa 60 minutes da emissora de TV americana CBS forneceu sua explicação. A dieta francesa incluía, classicamente, a ingestão diária de vinho às refeições. Este hábito, segundo ele, seria a causa da menor incidência das doenças, já que o vinho teria um efeito protetor para as coronárias e para o miocárdio. No ano seguinte, ele publicou no Lancet um artigo científico explicando o fenômeno (“Wine, alcohol, platelets and the French Paradox for coronary heart disease”).
Mas não precisamos nos ater apenas ao passado recente para verificar a relação entre vinho e medicina. O vinho é associado à boa saúde desde a antiguidade. Poções, unguentos e emplastros tinham, em sua composição, o fermentado de uvas. Na idade média, junto à cerveja, o vinho era uma bebida saudável, usado inclusive por crianças, pois a água frequentemente não era potável. Enquanto os destilados foram usados como um precursor dos anestésicos, ajudando a suportar a dor por entorpecer, o vinho era um elixir vital associado à saúde.

Além da saúde física, o vinho promove a saúde espiritual, associado ao bem-estar e à socialização. Filósofos, teólogos, generais, políticos ... são várias as citações, pela história afora, de personagens famosos ou anônimos louvando as virtudes de partilhar uma boa taça com amigos e louvando seus benéficos efeitos.

Então, devemos tomar vinho? Bom , o alcoolismo é uma doença grave.
Respeitando os limites do bom senso e se afastando deste perigo, sim
Além de fazer bem à saúde física e espiritual, o convívio através do mundo do vinho é fascinante, associando a desafios técnicos que vão desde a compreensão dos diversos tipos, características, cepas, formas de produzir... O vinho associa-se à cultura, presente em várias civilizações, abrindo rotas de comércio, intermediando momentos de guerra e paz. É místico, estando presente como simbolismo na religião católica. É um produto comercial, com alto valor agregado. Lidar com tudo isso ocupa a mente, acende novos desafios emocionais e intelectuais e nos compensa de nossa pesada rotina. Produzir um vinho é uma experiência associada a escrever um livro, envolvendo minúcias artesanais que vão desde a escolha do terreno, à cepa a ser plantada, à colheita, às características que a sua intervenção irá resultar, tempo de “crianza”, rótulo .... e por aí vai!
Muito do desenvolvimento da nossa SBNPed se deu em volta de taças, clareando nossa mentes, dirimindo impasses e abrindo nossos corações. Muitas amizades vieram daí, e, por aí se mantêm.
Mas, e o paradoxo francês? Bem, um pouco mais tarde ficou evidenciado que, além do vinho, a dieta mediterrânea baseada em vegetais frescos, oliva e azeite, proteína do próprio queijo e peixes, tão comum entre franceses era também responsável, além do vinho, pelo contra-senso.
Por outro lado foi identificado o resveratrol, substância presente sobretudo no vinho tinto, que pode ajudar a diminuir os níveis do colesterol LDL e aumentar os níveis de HDL. Além dele, substâncias anti-oxidantes do vinho são benéficas à saúde.
Tudo bem, mas se eu tomar o resveratrol em cápsula ou no suco de uva para a saúde vai dar no mesmo, não é? Aí eu parafraseio o meu Tio Pituxa quando meu pai lhe apresentou o “Grapete”, refrigerante que lembrava suco de uva:
Depois de sorver um bom gole ele proferiu:
“ Zé, o suquinho é muito bom, mas falta aquela tonteirinha...”
Saúde!

Por: Dr. Aloysio Costa Val

O jovem Ícaro, na mitologia grega, era o filho de Dédalo e é comumente conhecido pela sua tentativa de deixar a ilha de Creta voando. O final desta história muitos conhecem, mas afinal o que nos diz esta passagem da mitologia grega? Vamos refletir sobre os sujeitos Ícaro e Dédalo.